Estado
Segurança de loja é indiciado por racismo em abordagem a jogador do Voltaço
Atleta disse ter sido obrigado a mostrar onde deixou peças que desistiu de comprar
13/11/2023 14:45:23
A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do Rio de Janeiro indiciou um segurança da loja Zara do BarraShopping, por racismo contra um jogador de futebol do Volta Redonda. O caso aconteceu em junho deste ano, quando Guilherme Ribeiro Quintino Machado, de 20 anos, estava na loja e foi seguido por Henrique Duraes Bernardes, de 41, sendo impedido de sair do local. Ele contou que foi obrigado a mostrar onde estavam as peças que desistiu de comprar. Aos investigadores, o atleta sustentou que foi seguido e intimidado por ser negro. O segurança também é.
Henrique negou a acusação dizendo que apenas pediu para que o jogador mostrasse onde havia deixado a bolsa com as de roupas. Embora salientando que não exista um perfil para que sejam feitas as abordagens, “mas sim atitudes", o segurança admitiu à polícia que errou na forma de abordar o jogador.
No relatório enviado ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a delegada Rita de Cassia Salim Tavares, titular da Decradi, após ouvir testemunhas e analisar as imagens das câmeras de segurança da loja, sustentou que ficou "configurada uma ação discriminatória que consistiu no tratamento diferenciado dirigido a vítima, justamente em razão de pertencer a uma determinada raça, cor e/ou origem étnica, que evidencia o racismo".
Henrique Duraes é funcionário da empresa Prossegur. Quando o fato ocorreu, ele trabalhava havia pouco mais de um mês. Na ocasião, em nota, a Zara afirmou que não admite qualquer tipo de discriminação e que estava apurando o ocorrido, reiterando que a abordagem não é prática da companhia nem reflete seu posicionamento e valores. O Barra Shopping também afirmou que repudia quaisquer atos de discriminação.
O MPRJ não havia respondido, até o momento desta publicação, se o segurança foi denunciado pelo caso. A reportagem é do G1. (Foto: Arquivo)