Cidades
Quilombo de Angra dos Reis recebe pesquisadores americanos
Estudo resgata memória do tráfico ilegal de africanos escravizados
12/11/2025 19:30:22
O Quilombo de Santa Rita do Bracuí, em Angra dos Reis, recebeu, na última segunda-feira (10), em parceria com o Instituto AfrOrigens, representantes do Smithsonian Institution, de Washington, e pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, da Pensilvania. O objetivo foi conhecer os locais de memória do negro em Angra dos Reis e experimentar a culinária tradicional quilombola.
A iniciativa faz parte de um amplo projeto internacional de história e arqueologia subaquática que busca reconstruir capítulos esquecidos da história do tráfico ilegal de africanos escravizados no Brasil. Segundo a secretária de Cultura e Patrimônio de Angra dos Reis, Marlene Ponciano, o trabalho realizado no Bracuí tem um profundo significado histórico e social.
“Essa pesquisa é um marco na valorização da nossa história e da nossa ancestralidade. Estas comunidades tradicionais são guardiãs de um patrimônio vivo e essencial para a identidade de Angra dos Reis”, disse ela.
Como desdobramento das pesquisas, na noite desta quarta-feira (12) será inaugurada no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, a exposição “Para Além da Escravidão”, onde o navio Camargo será um dos temas centrais. A embarcação escravagista naufragou no litoral de Angra em 1852.
Já nos dias 13 e 14 de novembro, o seminário “Para Além da Escravidão - Memória, Justiça e Reparação” será realizado no Arquivo Nacional, reunindo especialistas de várias parte do mundo e representantes de comunidades tradicionais.
A pesquisa é coordenada por especialistas do Instituto AfrOrigens, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal de Sergipe (UFS), com parcerias internacionais, como o Slave Wrecks Project, do Smithsonian Institution. A ação conta com o apoio da Secretaria de Cultura e Patrimônio.
A atuação conjunta entre comunidade, pesquisadores e poder público tem permitido resgatar memórias, valorizar o patrimônio quilombola e dar visibilidade a vozes historicamente marginalizadas, segundo a prefeitura de Angra dos Reis. (Foto: Divulgação)