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Estado

Exército faz seleção para alistamento militar de mulheres

Para o Rio de janeiro são 159 vagas

30/01/2026 14:29:35

O Comando Militar do Leste (CML) formalizou o Serviço Militar Inicial Feminino (SMIF) e estipula uma fase piloto em 2026 com 159 incorporadas como soldados no Rio de Janeiro. Na próxima segunda-feira (2), tem início a etapa presencial de seleção, que inclui conferência documental, avaliações de saúde e entrevistas.

As primeiras mulheres recrutas da história do Exército Brasileiro serão distribuídas em unidades de saúde, ensino e apoio. A meta de longo prazo é que o efetivo feminino atinja 20% do contingente de soldados até 2035.

Além das 159 voluntárias no Rio de Janeiro, o CML (responsável também por ES e MG, exceto Triângulo Mineiro), deverá incorporar 37 mulheres em Juiz de Fora e 26 em Belo Horizonte. Nos demais Comandos Militares de Área, há outras 788 vagas distribuídas conforme plano do Exército Brasileiro.

Processo seletivo e cronograma – As jovens que se alistaram voluntariamente - nascidas em 2007 - passarão por um processo seletivo específico. Conforme o calendário, as candidatas convocadas deverão comparecer em 2 de fevereiro de 2026 às Comissões de Seleção designadas para suas localidades, levando os documentos exigidos (identidade com foto, comprovante de residência e CPF).

Nesse momento, serão conferidos os dados cadastrais, de saúde e demais requisitos legais para ingresso no SMIF.

No Rio de Janeiro, uma das etapas do processo ocorrerá no Palácio Duque de Caxias, sede histórica do Comando Militar do Leste.  No local, serão realizados os procedimentos administrativos iniciais, incluindo conferência documental e avaliações previstas.

Diferentemente do alistamento masculino obrigatório, as voluntárias ingressam por opção própria, sem multa ou sanção pelo não alistamento. A partir da incorporação, ou seja, finalizadas as etapas de seleção, o serviço das recrutas se torna obrigatório.

Além disso, o Exército garante plena isonomia de condições: as mulheres incorporadas terão “os mesmos direitos e responsabilidades” dos recrutas homens - salário, plano de saúde, auxílio-alimentação, contagem de tempo para aposentadoria e outros benefícios previstos na Lei do Serviço Militar -, com adição da licença maternidade.

“É um momento simbólico para o Exército, que reforça a valorização das mulheres em suas fileiras,” destacou o major Hugo Chermann, porta-voz do Serviço Militar Inicial Feminino no Rio de Janeiro. “Nosso compromisso é conduzir esse processo com transparência e profissionalismo, garantindo oportunidades iguais a todas as voluntárias”, afirma.

Primeiras soldados mulheres, mas não primeiras mulheres militares – A história feminina no Exército Brasileiro remonta ao século XIX, quando Maria Quitéria recebeu o posto de cadete, após lutar pela Independência do Brasil. Já nas Escolas de Formação da Força, mulheres aprovadas em concurso público passaram a integrar os quadros a partir de 1992.

Atualmente, há oficiais e praças do segmento feminino atuando tanto em funções operacionais, quanto em cargos de liderança, chefia e comando nas áreas de saúde, administração e na linha bélica do EB.

Ainda assim, para a coronel médica Ana Paula Reis, diretora da Policlínica Militar da Praia Vermelha, no Rio, e com quase 30 anos de carreira no Exército, a abertura deste ciclo é histórica.

“Com isso, teremos a partir de 2026 mulheres em todos os postos e graduações da carreira militar. Soldados do segmento feminino poderão nos ter como exemplo de reconhecimento e liderança, enriquecendo, assim, a gestão como um todo e reforçando os valores éticos da instituição”, celebra a oficial. (Foto: Divulgação)

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