Estado
El Niño: Rio lança nova ferramenta de classificação de riscos de calor extremo
Índice combina dados para orientar medidas de prevenção em todo o estado
21/08/2026 16:03:48
A Secretaria de Estado de Saúde acaba de lançar o Índice Multidimensional de Excesso de Calor (IMEC-RJ), ferramenta que combina dados de morbidade-mortalidade, demográficos, meteorológicos, ambientais, de cobertura vegetal e da rede assistencial para classificar o nível de risco de calor extremo à saúde da população em cada um dos 92 municípios do estado. A medida é uma prevenção aos efeitos do Super El Niño.
Além de indicar o nível de risco de cada cidade, o IMEC-RJ estabelece um conjunto de medidas previstas no Plano de Contingência para o enfrentamento do excesso de calor. O objetivo é apoiar as cidades na adoção de ações antecipadas, reduzir danos à saúde e ampliar a capacidade de resposta da rede pública. Com a ferramenta também é possível estabelecer ações concretas para responder às demandas de cada cidade que venha a enfrentar altas temperaturas.
“Nosso objetivo é dar condições e suporte aos municípios para pronta resposta aos impactos do El Niño. Essa combinação de dados vai permitir que a nossa área técnica emita alertas às cidades com antecedência de cinco dias do efeito climático extremo. E isso possibilitará melhor preparo das unidades de saúde para redução de danos”, afirma o secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião.
A nova funcionalidade já está disponível ao público na aba Excesso de Calor, do Monitora RJ.
Como funciona – O índice avalia diferentes características dos municípios para identificar aqueles que podem apresentar maior risco à saúde durante períodos de temperaturas elevadas. Entre os aspectos considerados estão:
Clima: exposição prévia a eventos de calor;
Vulnerabilidade demográfica: fatores relacionados à faixa etária da população e aos perfis de mortalidade;
Sensibilidade: ocorrência de morbidades cardiovasculares, respiratórias e renais;
Capacidade instalada: disponibilidade de leitos e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS);
Ambiente: condições socioeconômicas, área verde e infraestrutura.
“A partir da implementação do IMEC-RJ, a secretaria estabelece uma série de ações a serem implantadas como prevenção aos efeitos do Super El Niño. O objetivo é fazer com que as cidades possam se preparar previamente para um eventual advento climático extremo e saibam como proceder”, explica Luciane Velasque, superintendente do setor de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde.
O Plano de Contingência para enfrentamento do excesso de calor estabelece cinco níveis de temperatura: Nível 0 (sem calor), Nível 1 (leve), Nível 2 (Severa), Nível 3 (Extrema) e Nível 4 (Severa ou Extrema por mais de cinco dias). Para cada situação, a Secretaria de Saúde estabeleceu ações a serem adotadas, como as oficinas presenciais de capacitação que serão oferecidas aos 92 municípios, com distribuição de uma cartilha de contingência (dividida por cores para gestores, profissionais, população e saúde animal).
Organizada pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) estadual, essa qualificação tem a finalidade de fortalecer o planejamento municipal para mitigação de riscos à saúde, trabalhando indicadores de vulnerabilidade e a integração entre vigilância e assistência.
Os encontros serão divididos em dois ciclos regionais: na terça-feira (25) e na quarta-feira (26) para as regiões Noroeste, Norte, Baixada Litorânea, Médio Paraíba e Ilha Grande; e na quinta (27) e na sexta-feira (28) para as regiões Serrana, Metropolitanas I e II e Centro-Sul Fluminense).
O plano também prevê operações de emergência, como reforço na frota da capital com veículos de intervenção rápida, motolâncias e ambulância para múltiplas vítimas, além do suporte de duas aeronaves para transferência inter-hospitalar de pacientes, e envio de insumos estratégicos para locais afetados.
Estudo mostra impacto do excesso de calor – A ampliação do monitoramento considera que os excessos de calor impactam as regiões do estado em níveis diferentes. Um estudo conduzido pela Secretaria de Estado de Saúde e publicado na revista da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) detectou que durante o último evento de calor extremo, entre os dias 11 e 18 de novembro de 2023, a média diária de mortes no estado dobrou. Na Região Noroeste, a mais sensível, houve aumento de 74% no risco de mortalidade, principalmente entre idosos. (Foto ilustrativa)