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Política

Deputado apresenta projeto pioneiro de exame de vista e audição para crianças acolhidas

Ideia é ter clínica móvel visitando instituições

01/09/2025 11:42:37

Mais da metade das crianças e adolescentes acolhidas em instituições no estado do Rio de Janeiro nunca fizeram exame de vista. Dois em cinco acolhidos com idade para estudar no ensino fundamental estão com pelo menos dois anos de defasagem escolar. E 84,43% deles possuem histórico de terem sofrido violência.

Os dados foram revelados na audiência pública convocada pelo deputado Munir Neto, presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da Alerj, resultado de pesquisa realizada pela Rede Abrigo em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). O estudo investigou a realidade do acolhimento institucional no estado, com entrevistas em 129 unidades e registro de informações sobre 1.156 crianças e adolescentes, representando mais de 80% da rede fluminense.

Munir Neto, menos de 48 horas depois da audiência, deu entrada em um projeto de lei pioneiro, que visa reverter a estatística sobre o exame de vista, além de convocar nova audiência e agendar reuniões junto aos poderes Executivo e Judiciário. “Só o fato de estarem abrigados significa que integram a estatística daquelas crianças e adolescentes em vulnerabilidade social. Na verdade, tudo chama a atenção e requer urgência em solução. Por isso, imediatamente convoquei minha assessoria parlamentar na elaboração de um novo projeto”, explica Munir.

O projeto de lei cria o OFTOMÓVEL, uma clínica móvel que visitará cada instituição de acolhimento ao menos uma vez por ano, realizando exames de vista e audição, além de fornecer óculos gratuitamente. “Esses cuidados são fundamentais para o aprendizado escolar e evitar acidentes, contribuindo para que na vida adulta nossas crianças e adolescentes acolhidos possam ter mais oportunidades econômicas e qualidade de vida”, avaliou Munir. Já há um projeto também de sua autoria tramitando na Alerj que prevê prioridade no Sisreg no atendimento oftalmológico para essa faixa da população.

“Mas ao ver os dados, de que mais da metade (51,3%) nunca fez exame de vista, percebi que não basta garantir prioridade. É preciso que o estado vá até eles. A realização de um outro exame, o auditivo, não é mapeada na pesquisa, mas é igualmente fundamental para o aprendizado e a inclusão e precisamos nos antecipar às estatísticas para revertê-las. Por isso, incluí no projeto também o exame de audição. Esperar que procurem o sistema é não olhar além das estatísticas. E este é um olhar que não só o político que atua para fazer acontecer tem de ter, mas sim toda a sociedade”.  (Foto: Divulgação)

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