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Brasil teve em 2025 a menor taxa de assassinatos em 14 anos

Anuário aponta queda de 31% nos homicídios desde 2012

23/07/2026 10:49:20

O Brasil atingiu em 2025 o menor patamar de assassinatos da última década e meia, registrando 40.775 vítimas de mortes violentas em todo o território nacional. Os dados fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), e revelam que a taxa de assassinatos no país recuou para o menor nível desde 2012. Apesar da retração geral nos números, o levantamento expõe a persistência de uma profunda desigualdade racial nas estatísticas de violência, além do aumento da letalidade em intervenções policiais.

Em 2025, a taxa nacional ficou em 19,1 registros para cada grupo de 100 mil habitantes. O resultado representa uma diminuição de 8% na comparação direta com o ano de 2024 e uma queda expressiva de 31% frente a 2012, ano que marca o início da série histórica do levantamento. A métrica de Mortes Violentas Intencionais (MVI) engloba o somatório das ocorrências de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes provocadas por intervenções policiais, quer o agente esteja em serviço ou fora dele.

No recorte focado especificamente nos homicídios dolosos — nos quais há intenção explícita de matar —, a queda observada foi de 10%, resultando em uma taxa de 15,4 casos por 100 mil habitantes. O indicador marca o cumprimento antecipado das diretrizes nacionais de segurança: em 2021, com a revisão das normas do Sistema Único de Segurança Pública pelo governo federal, estabeleceu-se o compromisso de atingir a marca de 16 homicídios por 100 mil habitantes até o ano de 2027. O patamar estipulado acabou sendo alcançado com dois anos de antecedência.

Apesar do alcance antecipado da meta, especialistas apontam a necessidade de ponderação diante do quadro geral da segurança pública. A doutora em Ciências Sociais e pesquisadora do FBSP, Raquel Souza, avalia que o resultado positivo precisa ser analisado sob o prisma do comportamento das forças de segurança do próprio país.

“A boa notícia sobre a antecipação da meta de redução de homicídios no Brasil precisa ser, infelizmente, relativizada. O país precisa encontrar mecanismos de controle do uso da força mais efetivos, já que tais dados mostram que o Estado, em suas múltiplas esferas e poderes, tem sido parte do problema e não apenas das soluções para a segurança pública brasileira”, avalia a pesquisadora.

A ressalva ganha sustentação nos números de ações letais envolvendo forças policiais. Na contramão da tendência de queda dos indicadores gerais de MVI, o ano de 2025 registrou uma alta de 5,4% nas mortes decorrentes de intervenção policial. Foram contabilizados 6.602 casos ao longo do ano passado, o que significa que as ações do Estado responderam por 1 em cada 6 mortes violentas intencionais ocorridas no Brasil.

A violência no país continua sendo marcada por uma forte assimetria racial. Conforme os dados apresentados no anuário, a população negra é desproporcionalmente atingida, representando 79,7% das vítimas do total de mortes violentas intencionais. De acordo com o estudo, a probabilidade de um cidadão negro ser assassinado no Brasil é 3,5 vezes superior à de uma pessoa branca. (Foto: PRF)

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