Internacional
Três mulheres dividem o Prêmio Nobel da Paz de 2011
07/10/2011 10:11:05A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, sua compatriota Leymah Gbowee, e a ativista iemenita Tawakkul Karman, dividiram o Prêmio Nobel da Paz de 2011, anunciado na manhã desta sexta-feira, em Oslo, na Noruega. Ellen e Leymah mobilizaram as mulheres contra a guerra civil de seu país. Já Tawakkul luta pelo fim do governo de Ali Abdullah Saleh.
A premiação é um forte sinal a favor de um maior poder e participação das mulheres em movimentos em defesa da paz. As vencedoras vão dividir o prêmio no valor de US$ 1,5 milhão (equivalente a R$ 2,7 milhões). Assim como em outros anos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era um dos cotados para o prêmio.
O presidente do comitê do Nobel, Thorbjoern Jagland, argumentou que as premiadas foram recompensadas por suas lutas pacíficas pela segurança das mulheres e pelos seus direitos para participar da construção da paz. Jagland disse esperar que a premiação aumente a atenção a crimes como estupro e outras formas de violência contra as mulheres, além da importância delas na promoção da democracia na África e no mundo árabe e islâmico.
"Não podemos alcançar democracia e paz duradoura neste mundo a menos que as mulheres obtenham as mesmas oportunidades dos homens para influenciar desenvolvimentos em todos os níveis da sociedade", disse em nota o comitê do prêmio.
Tawakkul Karman é uma jornalista, de 32 anos. Desde janeiro, é uma das líderes da luta pacífica pela destituição do presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh. Mãe de três filhos, ela partiu para a luta inspirada pelos levantes populares que derrubaram ditadores na Tunísia e no Egito, no início deste ano, na chamada Primavera Árabe. Tawakkul lidera o grupo de defesa de direitos humanos Jornalistas Mulheres sem Correntes e se tornou a primeira mulher árabe a ganhar o prêmio.
Figura importante no Al-Islah, maior partido de oposição iemenita, ela foi elogiada pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e a primeira-dama Michelle Obama ao visitar os EUA para receber um prêmio internacional no início deste ano.
- Estou muito feliz com o prêmio - disse. - Eu dedico esse prêmio aos jovens da revolução no Iêmen e ao povo iemenita.
O presidente do comitê do Nobel disse que foi difícil encontrar um líder das revoltas da Primavera Árabe, ressaltando que o trabalho da iemenita começou antes das revoltas.
Conhecida como "dama de ferro", Ellen Johnson-Sirleaf, por sua vez, foi a primeira mulher eleita chefe de Estado de um país africano. Economista, mestre em administração pública pela universidade de Harvard e líder do Partido da Unidade, a liberiana de 72 anos é presidente da Libéria desde 2005.
Para Ellen, que trabalhou na ONU e no Banco Mundial, o prêmio foi um reconhecimento da luta do país africano por "justiça, paz, e promoção do desenvolvimento".
- Eu acredito que nós (eu e Gbowee) aceitamos isso em nome do povo liberiano, e o crédito vai para o povo liberiano - disse ela, em frente à sua casa.
A Libéria realizará eleições presidenciais na próxima terça-feira, quando a presidente disputará a reeleição. Em 1997, ela apoiou a eleição de Charles Taylor, que hoje é julgado em Haia, o que rende críticas à presidente.
Já a também liberiana Leymah Roberta Gbowee é uma ativista do movimento pacífico que levou ao fim da segunda guerra civil no país africano, em 2003, o que conduziu dois anos mais tarde à eleição de Ellen.
Ela trabalhou com mulheres cristãs e muçulmanas para reduzir as tensões entre liberianos filiados às duas religiões (que representam, respectivamente, 40% e 16% da população do país). Entre as medidas que defendeu entre as mulheres estão as "greves de sexo" com os parceiros.
Como assistente social, Leymah, que é mãe de seis filhos, trabalhou com liberianos que, quando crianças, lutaram como soldados de Charles Taylor. Depois do fim da guerra civil, ela se tornou líder da Comissão da Verdade e Reconciliação da Libéria.
Premiada internacionalmente, ela é desde2006 adiretora-executiva da Rede Paz e Segurança - África, organização que trabalha com mulheres em Libéria, Costa do Marfim, Nigéria e Serra Leoa.
O conflito na Libéria, que começou em 1989, deixou cerca de 200 mil mortos e fez com que 3 milhões de pessoas se tornassem refugiadas. O país, criado em 1847 para abrigar escravos libertos americanos, ainda luta para manter a frágil paz, com a ajuda de forças de paz da ONU.