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Meio Ambiente

por: Adaucto Lima Neves

Morte por poluição

09/12/2015 06:36

A poluição mata e estima-se que milhares de pessoas morrem por ano no Brasil pela química lançada ao ar. Os vilões são o monóxido de carbono, o óxido nitroso, o óxido de enxofre  e outros.

No Brasil o ar é duas vezes mais poluído do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Algumas doenças surgem, como o câncer, além de problemas respiratórios, rinites, baixo peso de recém-nascidos, etc. Devido a negligências, somos classificados como o 43º país mais poluído do mundo, mas o governo brasileiro tem programas de redução da poluição e anunciou que a meta será de 37% a menos de gases até 2025.

Dentre esses gases, o gás sulfídrico, altamente tóxico, possui cheiro desagradável. Concentrado, inibe o olfato, irrita os olhos (50 a 100ppm) e causa morte por paralisia respiratória após 500ppm. O metano gás incolor sem cheiro, no ar se torna inflamável. Causa asfixia se inalado, e parada cardíaca, afeta o sistema nervoso. O dióxido de carbono está próximo de 400 ppm, partículas por milhão na atmosfera, intensificando o efeito estufa.

A matriz energética precisa ser mudada. Segundo estudos, as emissões pioraram. O maior vilão, porém é o dióxido de carbono, vindo do carvão mineral e do petróleo, que são responsáveis por 80% do carbono lançado no ar. O problema do clima somente será resolvido se conseguirmos combater o excesso de consumo fósseis.

Diminuir a emissão dos gases é a principal discussão na COP21 na França e um novo acordo para melhoria ambiental está sendo elaborado. A poluição é capaz de causar vários problemas ao corpo humano, mas continuar revertendo o cenário da poluição, requerer ações imediatas, individuais e também coletivas.

O Brasil tem bons quesitos, pois possui imenso potencial de utilização de energias limpas, como hidroelétrica, eólica, biocombustível, principalmente etanol. No entanto, hoje, estão utilizando muita energia de usinas termelétricas, que são muito poluidoras. Para melhorar a malha de distribuição elétrica, por exemplo, é preciso melhorar a manutenção das hidrelétricas e reformar alguns equipamentos. Isso geraria uma melhora de eficiência em torno de 30% na entrega energética, segundo um especialista de Furnas.

Basta investir financeiramente e recuperar os equipamentos de forma responsável. Mas, com a briga política lá do Planalto, vários investimentos estão travados.

Também entre as principais atividades que causam o aquecimento global e as mudanças climáticas, estão as atividades de transportes. Quanto mais carros na rua, mais gases tóxicos e poluentes entrando nos pulmões, pois é dos escapamentos dos automóveis que sai a maior parte dos materiais particulados e dos poluentes gasosos que ameaçam nossa saúde.

Mudar o estilo de vida e os padrões de consumo da modernidade é a grande dificuldade dos acordos multilaterais de Paris. Formar outro paradigma energético será fazer o dever de casa aqui e agora, para abater os monstros que causam o aquecimento global.

Nessa semana, a China "parou" devido ao aumento da presença de partículas em suspensão no ar de 2,5 mícrons de diâmetro, que são respiráveis e perigosas para a saúde, chegando a 600 microgramas por metro cúbico em Pequim. A OMS recomenda um limite médio de material particulado de apenas 25 microgramas/dia.

A saída talvez seja motivar os executivos das grandes organizações poluidoras, e a política, a estimular e aumentar as consultas aos diferentes segmentos sociais e ambientais e forçar a diplomacia a tornar realmente factível as ações para que possam começar em suas casas a mudança que tanto queremos.

É necessário que os países mais desenvolvidos contribuam para resolver algumas questões, eliminando urgente e gradualmente o consumo de energias não renováveis e fornecendo recursos aos países mais necessitados para promover políticas e programas de desenvolvimento sustentável.

Os mais pobres não têm muita possibilidade de reduzir o impacto ambiental, pois não possuem recursos e preparação técnica para desenvolver processos necessários para cobrirem seus gastos.

Difícil esta, mas a aprovação interna de cada congresso, de cada nicho governamental tem que acontecer. O planeta não tem muros nem paredes isoladas. Todos perderão. As desigualdades extremas produzem um efeito perverso, igual a temperatura e pressão desproporcionais. Elas provocam irregularidade no clima, tempestades devastadoras.

Os mais ricos precisam se mexer, evitando o desequilíbrio das negociações com os menores. Como diz na legislação do transporte automobilístico: os maiores são responsáveis pelos menores. Isso deveria funcionar também no paradigma econômico.

Adaucto Lima Neves é professor e ex-secretário de Meio Ambiente de Barra Mansa e escreve às quartas-feiras

E-mail: adauctoneves@gmail.com


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