O governo não vai negociar com os caminhoneiros parados, informou o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, depois de reunião com o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. Segundo ele, o ministro sinalizou que, se o movimento for encerrado, haverá nova reunião com a categoria no dia 8 de agosto. "O governo não vai negociar com grevistas. Há necessidade de desobstrução das rodovias", afirmou. "O governo está sensível às nossas reivindicações e acha possível atender a algumas delas, mas só se os bloqueios forem retirados", acrescentou.
Bueno afirmou nesta terça-feira que os caminhoneiros estão sendo coagidos por uma minoria que decidiu aderir à greve da categoria. "A maioria dos caminhoneiros está sendo obrigada a parar nos bloqueios sob ameaças e agressões", afirmou. Segundo ele, a greve não teve adesão geral, mas os pontos de bloqueio estão montados em pontos de grande visibilidade e movimentação de cargas, principalmente no Rio de Janeiro e no Paraná. No Rio, seriam três mil caminhoneiros parados em um universo de mais de um milhão de autônomos.
O sindicalista questionou a representatividade do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), que lidera a greve. "É um movimento desorganizado, que não representa a categoria. Quem financia esse movimento? Os caminhoneiros autônomos estão sendo enganados", disse, sugerindo que empresários do setor estariam financiando o movimento. "Não apoiamos a greve. O movimento está denegrindo a imagem dos caminhoneiros", afirmou, ressaltando que três caminhoneiros já morreram desde o início do movimento.
Também contrário à greve, o presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José Araújo da Silva, conhecido como China, pediu ajustes na lei que extingue a carta-frete. "Os grevistas defendem o fim desse mecanismo, mas nós achamos que a lei deve ser ajustada, e não revogada. O governo está disposto a abrir uma audiência pública para discutir isso. Não há necessidade de parar o país por isso", afirmou.