Duas extremidades: Deus e diabo. Entre eles, um homem e uma história – ou duas – contada de maneira original. De um lado despojada, bem-humorada. De outro, forte e cruel. Lançamento da editora Novo Século, "Bendito-Maldito", do autor e designer Newton Cesar, é o retrato de como a vida de uma pessoa pode ser completamente diferente dependendo do lado que ela escolher.
A obra é literalmente separada em duas partes que partem de opostos extremos: de um lado do livro começa Bendito, a história do protagonista Deusidário que, após perder tudo que tinha, resolve vender a alma ao diabo. Porém, como o diabo não aceita almas boas, ele só fechará negócio se Deusidário cumprir seus dez mandamentos do mal. É quando a alma boa do personagem aparece para tentar impedi-lo de efetivar a venda. A partir desse momento, Bendito entra num ritmo alucinante e engraçado atingindo um clímax final inusitado.
Então, quando o leitor vira o livro de cabeça para baixo, depara-se com Maldito, que conta a história de Deusidário do ponto de vista macabro da maldade. Dominado pelo mal, o protagonista comete atrocidades em nome do diabo, como estuprar, torturar até a morte e manter relações sexuais com os cadáveres de suas vítimas antes de abandoná-los. Tudo isso com o objetivo de matar 666 pessoas, preferencialmente mulheres.
A antítese, utilizada com primazia pelo autor, é o que torna Bendito-Maldito uma leitura ao mesmo tempo assombrosa e irresistível. O antagonismo das duas narrativas cria o clima desesperador carregado de suspense que deixa o leitor apavorado. Ao final, é inevitável se questionar qual será o verdadeiro final para quem se deixa levar pelo Maldito.
Newton Cesar é escritor, publicitário e designer há mais de vinte anos. Como publicitário, atuou em várias agências de propaganda, exercendo as funções de diretor de arte e criação. Como escritor, publicou diversos livros de ficção e de negócios, entre eles Jardim de Sangue e Tudo o que você não queria saber sobre propaganda, e ainda é o autor da aclamada biografia esportiva "Corinthians: 100 anos de paixão".
OUTRO – Aproveitando esta edição, Cultura em Foco sugere também o Diário do Caçador, de Ulisses Aguiar, que remonta a uma tradição secular, pela qual homens e mulheres de notável saber transmitiam seus conhecimentos em manuscritos feitos a pena, inseridos em discretos cadernos de couro: os diários. Afinal, se for verdade que os melhores segredos se guardam por si mesmos, seria razoável pensar que existem, apenas, nos limites entre a realidade e a ficção.
Silenciar o pensamento para melhor ouvir; fechar os olhos para enxergar; questionar para afirmar. Estes são os instrumentos do sábio que se atreve a desvendar as fronteiras de sua imaginação e de sua consciência, embora ciente de que jamais poderá encontrar algo que não existe; tal a beleza dos infinitos mares da mente.
Este diário irá convidá-lo a desafiar limites e fronteiras em uma busca pelo papel fundamental que o ser humano desempenha para consigo mesmo, para com seu próximo e para com o planeta como um todo.
Ulisses Aguiar, nascido em 1989, é um acadêmico de direito pela Universidade São Judas. Primogênito de mãe professora e de pai programador de computadores e estudante de direito à época do seu nascimento, travou contato com o mundo dos livros desde cedo. Ouvia histórias de vida contadas pelos pais e avós, delas extraindo conceitos para redigir pequenos textos, os quais, mais tarde, evoluíram para poesias, algumas agraciadas com premiações no meio estudantil. Posteriormente, atuou como professor de idiomas, e, na atualidade, aperfeiçoa, como estagiário, o exercício da profissão de sua vocação. Incentivado pela família e amigos, foi encorajado a compartilhar seus escritos, publicando sua primeira obra em 2012.
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