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Soró desafia vereadores sobre acordos
‘Relatem o que não está sendo cumprido’, diz presidente, que cancelou contrato com a Caixa
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| Foco Regional
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| Soró, na coletiva, sobre descumprimento de acordos: ‘Isso é boato, é mero boato’ |
O presidente da Câmara de Volta Redonda Luiz Soró (DEM) desafiou os demais vereadores a provar que existiram acordos que ele não estaria cumprindo. A insatisfação teve início logo após sua posse, em janeiro, quando ele promoveu exonerações que, segundo diversos parlamentares, atingiram pessoas, como o procurador Adilson Ferreira, que deveriam ser mantidas onde estavam. Sobre as renúncias de Neuza Jordão e América Tereza, o presidente não quis fazer maiores comentários: "Essa é a posição delas, portanto, são elas que devem comentar".
Soró repetiu várias vezes a palavra "boato" para se referir às queixas de falta de transparência que os colegas estão fazendo a seu respeito em sucessivas reuniões. Para ele são boatos os comentários de bastidores de que poderá ter dificuldades para eleger dois vereadores para a primeira e a segunda secretaria: "De boatos eu já estou cheio", chegou a declarar, acrescentando: "Não há clima de guerra nenhum. O que vejo é que as informações estão sendo mal interpretadas". Sobre falta de transparência, ele se disse disposto até a realizar uma audiência pública "para mostrar ao povo onde é gasto o dinheiro da Câmara".
Quanto aos acordos que, em 2009, puseram fim a um impasse na eleição da Mesa e garantiram a eleição da direção por toda esta legislatura, ele declarou: "Quero que eles relatem quais são os acordos que não estão sendo cumpridos. Isso é boato, é mero boato".
As declarações de Soró foram feitas numa entrevista coletiva concedida na sexta-feira (5), um dia depois de ele deixar a Câmara correndo e dizendo que eram apenas boato a informação de que teria se comprometido com os outros a cancelar o contrato com a Caixa Econômica Federal. Na entrevista, entretanto, a primeira notícia que ele deu aos jornalistas foi justamente a de que o contrato tinha sido cancelado.
O presidente, no entanto, surpreendeu ao afirmar que não sabia se há multa rescisória pela quebra do compromisso de cinco anos, firmado no mês passado. "A Caixa vai ter de nos informar", alegou. Ele garantiu que a Caixa já tinha sido notificada, mas a assessoria do banco em Volta Redonda informou ao FOCO REGIONAL, logo após a coletiva, que não tinha recebido nenhuma comunicação neste sentido. O banco não informou se há multa – normal nestes casos – e o valor. Segundo Soró, agora vai ser crida uma comissão, "em plenário", para apurar todos os fatos relacionados ao contrato entre a CEF e a Câmara. Depois, garantiu de novo, será feita uma licitação para que apenas um banco tenha a movimentação financeira da Casa.
Ele disse também que os vereadores tinham conhecimento da negociação com a Caixa, que já vinha acontecendo desde o final do ano passado, quando o contrato só não teria sido assinado porque era fim de ano. A ex-presidente Neuza Jordão desmentiu em parte a informação. Segundo ela, os vereadores sabiam que estavam sendo mantidos contatos com a Caixa, o Banco Real e o Santander, interessados em ter a conta. "Conversamos com todos, dentro do sistema de colegiado com que administramos a Casa no ano passado, mas nada estava fechado", rebateu Neuza.
Na entrevista, Soró repetiu boa parte do que disse ao FOCO REGIONAL na edição 459, rechaçando qualquer uso de influência do cargo para obter verba da CEF para a ONG Acesa, do Açude, que ele admite ter fundado, mas assegura não estar mais presidindo. "Como fundei e fui presidente da Acesa, muitos ainda associam meu nome à presidência, mas o presidente é José Waltair de Oliveira. Até 2007, fui presidente de honra", disse, mostrando documentos em nome da ONG.
Desta vez, ele disse também que o valor liberado para a Acesa é de cerca de R$ 170 mil – e não R$ 250 mil como ele mesmo divulgara no dia da assinatura do convênio, destinado a reformar casas de família de baixa renda. Cercado de papéis demonstrando as casas a serem reformadas, ele fez uma ressalva: "Este dinheiro não vai para a ONG, mas para lojas de material de construção". Quando indagado por que estava cancelando o contrato com o banco, se nada havia de anormal, ele respondeu: "As pessoas estão entendendo que estou usando o cargo em benefício próprio".
‘Formatura não é coisa de interesse da Câmara’
Na entrevista coletiva, Luiz Soró tornou a repetir que separa a política da administração da Câmara, porque será ele, como ordenador de despesas, que responderá por qualquer ato que vier a ser contestado. Além de mais uma vez defender a extinção do contrato com o Camp (Centro de Apoio ao Menor Patrulheiro), através do qual 21 menores prestavam serviços à Câmara, ele justificou também por que não atendeu o pedido para ceder a Câmara para um evento que reuniria seis turmas de um curso técnico em meio ambiente, sendo criticado por isso por Neuza Jordão.
- Formatura não é coisa de interesse da Câmara. Não posso ficar fazendo média. Se quiserem fazer então um casamento, vou ter que emprestar? Os produtos que são gastos na limpeza (das instalações) são dinheiro da Câmara. Se eu quisesse fazer política, aumentava o número de menores do Camp de 21 para 200 – disse. O valor gasto pelo Legislativo com o programa representa menos de 1% do orçamento, mas, segundo Soró, "também é dinheiro da Câmara".
Na coletiva, Soró se queixou de que o Camp foi beneficiado por mais de 20 anos e, "no momento em que a Câmara mais precisa de apoio, atira pedras". Ele ainda reclamou que os menores não passavam por nenhuma avaliação de desempenho e que muitos passavam mais tempo no site de relacionamento Orkut do que a serviço da Casa. Sobre o fim do convênio, ele garantiu que pelo menos dez vereadores foram informados de sua decisão. "A Neuza não veio (para uma reunião), mas tinha sido convidada", declarou.
Já no final da entrevista, após o comentário de um radialista atribuindo o clima pesado ao fato de Neuza e América serem pré-candidatas a cargos eletivos este ano, Soró afirmou: "Aproveito para anunciar que não serei mais candidato a deputado federal". Pode parecer novidade, mas ele não seria mesmo.
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