| Publicada na edição
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Em busca da glória no Glorioso
Caio, jogador de Volta Redonda, tem chance de se firmar no Botafogo comandado por Joel Santana
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| Caio no Botafogo: Garoto revelado pelo Volta Redonda vive momento de expectativas |
José Roberto Paiva
Tal pai, tal filho, ainda mais quando se trata de jogador de futebol. Este é o sonho de praticamente todos os pais "boleiros": ver o filho seguir a mesma carreira, mas, é claro, fazendo mais sucesso. Exemplos de que o sonho não é fácil existem aos milhares e, para ficar só no Brasil, basta citar que Zico - maior ídolo do Flamengo - não conseguiu fazer um sucessor dentro de campo. Edinho, goleiro filho do Rei Pelé, ficou mais conhecido nas páginas policiais do que pela carreira de jogador. Poucos têm o privilégio de ver isso acontecer, ainda num time grande. A bola da vez é o ex-ponta-direita do Voltaço, Luiz Alberto, o Lulu, cujo filho, Caio, é uma das joias do Botafogo: a multa rescisória do garoto de 19 anos, que tem contrato até 2014 é de R$ 15 milhões.
Luiz Alberto, que brilhou no Voltaço na década de 1980, já morou nos Estados Unidos e hoje reside no bairro Sessenta. Caio, por sua vez, já está dando o que falar no Campeonato Estadual. O atacante já havia jogado com o ex-treinador do clube, Estevam Soares, mas foi com Joel Santana que ele passou a ter mais oportunidades, entrando sempre de forma decisiva. Contra o América, o atacante entrou no segundo tempo e, faltando pouco menos de cinco minutos, roubou a bola no meio-campo e partiu numa arrancada sensacional, driblando um zagueiro adversário e chutando cruzado, decretando a vitória de 2 a 1 para o Botafogo, fazendo surgir ali uma espécie de talismã da torcida.
Já no jogo seguinte do Botafogo a história se repetiu. O carequinha, até então no banco de reservas, teve seu nome gritado pela torcida em pleno Maracanã, levando Joel a mandar o garoto entrar no início do segundo tempo, quando o jogo com o Madureira estava empatado em 1 a 1, com o alvinegro precisando vencer a qualquer custo para continuar brigando por uma vaga nas semifinais da Taça Guanabara. O jogo estava muito equilibrado e logo ao primeiro toque na bola Caio marcou 2 a 1. Além do gol, ele teve momentos decisivos em outros dois, participando ativamente da goleada de 4 a 1. "Fiquei emocionado com a torcida gritando meu nome. Sei que quando entrar não posso decepcioná-los" disse Caio por telefone ao FOCO REGIONAL na sexta-feira (5).
E quem vibra muito com suas atuações é aquele a quem Caio considera mais que um pai, mas sim conselheiro de todas as horas: Luiz Alberto Corrêa, o "Lulu", atleta do Volta Redonda de 1978 à 1985. "Eu fui jogador e é muito gratificante ver um filho passar por tudo que passei e com ainda mais sucesso. Procuro sempre orientar o garoto, pois do mesmo jeito que você é elogiado, no outro dia pode cair uma enxurrada de críticas. Sempre procuro passar que a humildade é importante e acho que ele tem me ouvido bem nesse sentido", diz o pai.
A trajetória de Caio foi um pouco diferente da maioria dos meninos jogadores de sua idade. Aos 9 anos, em 2001, Caio foi morar nos Estados Unidos, no Estado de Massachusetts, onde logo se destacou com seu talento, sendo eleito o melhor jogador dos torneios que participava. No entanto, aos 16 anos ele deu um ultimato a si mesmo: "Quero ser jogador de futebol". Para isso, teria de deixar os Estados Unidos. Retornou a Volta Redonda e foi parar no juvenil do Voltaço, em 2006, sendo destaque no Torneio Otávio Pinto Guimarães. Desde então, o atacante teve breves passagens por clubes como São Paulo e Udinese, da Itália, mas onde acabou se firmando mesmo foi na categoria de base do Botafogo, onde chegou em abril do ano passado.
Quem acha que Caio não tem arrependimentos, se engana: ele lamenta não ter vestido a camisa do Botafogo mais cedo, sendo o time de maior repercussão em sua carreira até o momento. "Deveria ter vindo para cá muito mais cedo. Porque sei que se já estivesse aqui há mais tempo, seria muito mais fácil de ser chamado para a Seleção Brasileira, algo muito difícil de acontecer quando atuamos em equipes do interior", afirma.
Quando o assunto é a fama, Caio despista um pouco, não gosta muito de dar ênfase à sua boa fase, mas garante que os conselhos do pai o ajudam muito a manter os pés no chão nesta hora: "Do mesmo jeito que te elogiam, podem te deixar lá em baixo. Procuro sempre entrar e mostrar serviço, justamente para manter a imagem. Meu pai fala sobre tudo comigo, mulheres, fama, dinheiro. Fala até de futebol (risos), sobre posicionamento, não cair por falta boba, jogar mais pela ponta, onde tem menos jogadores, enfim, me ajuda mesmo".
O momento do garoto é tão promissor que fez todo mundo da família de vascaínos passar a torcer pelo Botafogo. "Sempre fui torcedor do Vasco, mas agora torço pelo time que o Caio jogar, vou a qualquer estádio só pra torcer pelo meu filho", admite Luiz Alberto.
Apesar do bom momento no clube da estrela solitária, a jovem promessa não descarta uma transferência para outro clube no exterior. Seu procurador é Reinaldo Pitta, que já trabalhou com Ronaldo Fenômeno."Caso surja uma proposta boa para mim e para o clube, vamos analisar, sim. Imagina se um Milan por exemplo tem interesse em mim? Não tem com recusar", sonha o talismã botafoguense. Quem sabe? Só depende dele.
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