| Sul Fluminense - 27 de agosto a 2 de setembro de 2007 - Ano IV - Edição 331 |
Colunas
|
|
Conquistar os filhos Prof. Felipe Aquino O fator mais importante na educação é que os pais saibam conquistar os filhos. Não com dinheiro, roupa de grife, tênis absurdamente caros, mas com aquilo que eles são. Sua conduta e integridade moral, sua vida honrada e responsável são os principais atrativos dessa conquista, um bom exemplo a ser seguido. O filho precisa ter orgulho de seu pai e admiração por sua mãe. Ter prazer de estar com eles e de cultivar uma relação amigável. Só assim será mais fácil para ele aceitar seus conselhos e correções. Só que é preciso tempo e dedicação. Certa vez, um adesivo de automóvel trazia: "Adote o seu filho, antes que um traficante o faça". De fato, se não conquistarmos os nossos filhos com amor, carinho e correção sadia, eles poderão buscar refúgio com alguém que não convém. É preciso que cada lar seja acolhedor para o jovem, para que ele não seja levado a buscar consolo na rua, na droga ou na violência. O respeito para com o filho é tão importante quanto o respeito para com os pais. É fundamental levá-lo a sério, respeitar seus amigos, valorizar suas boas iniciativas. Se você quer ser amigo do seu filho, então deve tornar-se amigo dos seus amigos, nunca rejeitá-los. Acolha-os em sua casa. Muitos pais erram ao mandarem seus filhos para a casa dos outros, a fim de que não incomodem com o barulho ou com a bagunça. Isso é um grande engano. Deixe que seu filho traga os amigos para a sua casa. Só assim você poderá conhecer melhor com quem ele convive e evitar as más companhias. Um outro fator que contribui para maior aproximação entre pais e filhos é os pais não adotarem a postura de super-heróis que nunca erram. Ao contrário, os filhos devem saber que seus pais também erram e que também têm direito ao perdão. Para isso acontecer, por sua vez, os pais precisam aprender a pedir perdão aos filhos quando erram em relação a eles. Reconhecer um erro não torna o pai mais fraco nem compromete sua imagem de autoridade dentro de casa. Ao contrário, diante da humildade do pai e da sua sinceridade, a admiração do filho tende a crescer. Tudo isto ajuda na conquista dos filhos. O educador francês André Bergè diz que "os defeitos dos pais são os pais dos defeitos dos filhos". Trocando em miúdos, a afirmação repete a idéia do dito popular "filho de peixe, peixinho é". Sendo verdade, podemos acreditar que as virtudes dos pais também inspiram virtudes nos filhos. Isto faz crescer a nossa responsabilidade. Não se pode bater no filho, não se pode repreendê-lo com nervosismo, ofendê-lo na frente dos seus amigos e irmãos. Isso tudo humilha o filho e o faz odiar os pais. Há pais que gritam com seus filhos e os ofendem e magoam na frente de outras pessoas. Depois indagam por que a criança os repudia e não segue seus ‘sábios’ conselhos. Novamente, conquiste seu filho com amor, não com dinheiro. Dê exemplos de uma vida honrada e seja presente em sua vida. Sobretudo, leve seu filho para junto de Deus com você. No capítulo 30 do Eclesiástico, a Palavra de Deus fala aos pais sobre a sua enorme responsabilidade na educação dos filhos. Ele diz: "Aquele que ama o seu filho corrige-o com freqüência, para que se alegre com isso mais tarde" (30,1). Infelizmente, são muitos os pais que não corrigem seus filhos, ou porque são relapsos nas responsabilidades de pais, ou porque também precisam de correção, já que também não foram educados. A criança mimada torna-se problema. Pensa que o mundo é dela e que todos devem servi-la. Não há coisa pior para um filho. Isso acontece com freqüência com os filhos únicos, focos de "todas" as atenções e cuidados dos pais, avós e tios. Aí é preciso uma atenção especial! "Um cavalo indômito torna-se intratável, a criança entregue a si mesma torna-se temerária" (30,8). Não pode haver mal maior do que deixar uma criança abandonada, materialmente, mas principalmente na sua educação. Muitos pais, vendo os filhos errarem, não os corrigem. É muito importante ensinar o filho a usar a liberdade com responsabilidade. Sem responsabilidade e verdade, a liberdade se torna libertinagem e mau hábito perigoso. Se a liberdade não tiver normas, se transforma em vandalismo, crueldade e dor. Professor Felipe Aquino é teólogo e apresentador dos programas Escola da Fé e Trocando idéias, na TV Canção Nova • • • • • • • • • • • • • • O ônus da cultura do funcionalismo público Leandro Vieira Parece realmente tentador: salário vitalício, benefícios garantidos pelo Estado, estabilidade, carga horária conveniente... Quem nunca desejou passar em um concurso público para dar fim às aflições motivadas pelas incertezas do conturbado cenário econômico-social atual? De fato, milhões de pessoas em todo o Brasil têm se dedicado à exaustiva maratona preparatória para os diversos concursos oferecidos pelo setor público, em todas as suas esferas. Alguns dedicam anos de estudo, investindo não apenas tempo, mas, também, dinheiro, muito dinheiro. Cursinhos, material didático, inscrições, viagens, estadias... Se tudo for colocado na ponta do lápis, o ROI (retorno sobre o investimento) de algum felizardo deve tardar uma barbaridade. Tudo bem, cada um sabe onde aperta o sapato e o que é melhor para a sua vida. A grande questão é que o sonho do concurso público tem gerado um prejuízo enorme para o nosso país. A lógica é simples: temos uma boa parcela de nossos talentos buscando vagas em trabalhos que não acrescentam em nada ao avanço da nação. A maior parte dos cargos públicos volta-se à operacionalização e manutenção da máquina estatal e nada mais que isso. Não estou menosprezando a grande importância do serviço público em nosso país, e tampouco me refiro aos professores e pesquisadores das nossas instituições públicas, longe disso. A questão é que apenas manter a máquina não gera crescimento econômico. É algo como uma locomotiva funcionando sem sair do lugar. Normalmente, as pessoas que almejam um cargo público têm uma certa aversão a riscos. Entretanto, não conseguem enxergar os grandes riscos que estão por trás de suas escolhas. Enquanto se preparam para os concursos, os candidatos deixam de desenvolver as competências e habilidades extremamente necessárias na iniciativa privada. Não acumulam experiência, não fazem contatos, e colocam em seu currículo apenas os cursinhos preparatórios para concursos. Parecem nunca ter o pensamento "e se eu não passar?". Um concursado leva, muitas vezes, mais tempo para passar em um concurso do que um acadêmico leva para se fazer doutor. E em que contribuem os anos de estudo do "caçador de concursos" para o avanço da ciência? Em nada. E para a geração de novos negócios? Pior ainda. Justamente, um dos principais vetores do desenvolvimento econômico e social de um país é a sua capacidade de produzir ciência, tecnologia e inovação. As modernas teorias acerca do crescimento econômico apontam a inovação como o fator mais importante, não apenas no desenvolvimento de novos produtos ou serviços, como também no estímulo ao interesse em investir nos novos empreendimentos criados. Nesse cenário, surge o empreendedor como uma força positiva no crescimento econômico, fazendo a ponte entre a inovação e o mercado. Vou mais além: o empreendedor é a figura principal desse processo. Apenas pesquisa e desenvolvimento e investimentos em capital físico e humano não causam o crescimento. Essas atividades tomam lugar em resposta às oportunidades de crescimento, e tais oportunidades são criadas pelos empreendedores. Lembrando Schumpeter, os empreendedores são os impulsionadores do desenvolvimento econômico, os responsáveis pelas mudanças econômicas em qualquer sociedade. O seu papel envolve muito mais do que apenas o aumento de produção e da renda per capita. Trata-se de iniciar e constituir mudanças na estrutura de seus negócios e da própria sociedade. Essas mudanças são acompanhadas pelo crescimento e por maior produção, o que possibilita que mais riqueza seja dividida pelos diversos atores sociais. Entretanto, em nosso país a cultura empreendedora cede lugar, cada vez mais, à cultura do funcionalismo público. Por aqui, empreender é apenas a saída para os menos inteligentes, para os mais necessitados, para aqueles que não têm condições de arrumar um emprego decente ou de passar em um concurso público. Está tudo errado. A carreira acadêmica não atrai os jovens em virtude dos baixos soldos e falta de reconhecimento profissional. O empreendedorismo não os atrai em virtude dos elevados riscos e das enormes dificuldades para se fazer negócios no Brasil. O resultado dessa equação é trágico: empaca-se o avanço da ciência e dos negócios, a oferta de empregos diminui, a economia estagna e mais e mais pessoas passam a almejar um posto nas instituições públicas, alimentando esse círculo vicioso. É fundamental revertermos essa tendência e trabalharmos no sentido de fomentar a cultura empreendedora em nosso país. Quando coloco os verbos reverter e trabalhar na primeira pessoa do plural, quero puxar a responsabilidade para as nossas mãos, cidadãos comuns. Não podemos esperar que o poder público faça a sua parte, pois o Estado faz justamente o contrário: inibe a atividade empreendedora ao elevar a carga tributária e criar empecilhos burocráticos absurdos, buscando sempre financiar os altos gastos do setor público com mais tributos e endividamento. A impressão que passa é de que o Estado é um inimigo da sociedade. Já que não podemos vencê-lo, devemos resistir fortemente à tentação de nos juntarmos a ele. Leandro Vieira é mestre em administração com curso de empreendedorismo pela Harvard Business School. Foi professor da Escola de Administração da UFRGS. Criador e editor do portal www.administradores.com.br | Principal |
|
|
© Jornal Foco Regional. Todos os direitos reservados - Este site é melhor visualizado usando-se Netscape 4 ou I Explorer 4 ou superiores- Resolução 800 x 60o pixeis |