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Estado

Witzel nega participação em ‘qualquer irregularidade’

Segundo governador ‘interferência na PF está oficializada’

26/05/2020 10:34:31

O governador Wilson Witzel, do Rio de Janeiro, se manifestou, na manhã desta terça-feira, sobre a operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca em apreensão em endereços dele e de sua mulher, incluindo a residência oficial, o Palácio Laranjeiras. Segundo a PF, a investigação está ligada às supostas irregularidades na aquisição de insumos e equipamentos para o combate à Covid-19 no estado. A autorização para investigar o governador foi dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

"A interferência anunciada pelo presidente da República [na Polícia Federal] está devidamente oficializada. Estou à disposição da Justiça", disse o governador, negando participação “em qualquer irregularidade” que esteja sendo investigada.

A operação da PF chamou a atenção para uma entrevista dada na segunda-feira à Rádio Gaúcha de Porto Alegre, na qual a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) – uma das principais aliadas do presidente Jair Bolsonaro no Congresso – antecipou que a haveria ações contra desvios na área da saúde nos estados.

O presidente Bolsonaro tem criticado Witzel – de quem foi aliado durante a campanha – a quem chamou de “estrume” em uma reunião ministerial em 22 de abril, por conta das medidas de isolamento para conter o coronavírus.

Perguntado sobre a operação nesta terça, Bolsonaro respondeu: "Parabéns à Polícia Federal. Fiquei sabendo agora pela mídia. Parabéns à Polícia Federal, tá ok?"

Questionado sobre se Zambelli sabia, emendou: "Pergunta para ela."

A investigação, de acordo com as informações até agora, aponta "vínculo bastante estreito e suspeito" entre a primeira-dama e as "empresas de interesse de Mário Peixoto", empresário dono de fornecedoras para governos, que foi preso na Operação Favorito, no último dia 14.

Helena Witzel, que tem um escritório de advocacia, tem um contrato de prestação de serviços com a empresa DPAD Serviços Diagnósticos, segundo a investigação. O Ministério Público Federal relata a existência de comprovantes de transferência de recursos entre a empresa. No endereço eletrônico de dois suspeitos de integrarem a organização chefiada por Mário Peixoto teriam sido encontrados "documentos relacionados a pagamentos para a esposa do governador".

As empresas de Peixoto têm contrato com o governo desde a gestão de Sérgio Cabral (MDB) e os mantêm na de Witzel. Segundo o Ministério Público Federal, a manutenção dos acordos se deu por meio do pagamento de propina.

Outros alvos da ação desta terça são Gabriell Neves, ex-subsecretário de Saúde de Witzel, preso na Operação Mercadores do Caos, e o Iabas (Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde), organização social (OS) contratada pelo governo do Rio para a construção de sete hospitais de campanha no estado.

Equipes foram para a casa de Gabriell, no Leblon, e nos escritórios da Iabas no Centro do Rio e em São Paulo, onde fica a sede da OS.

A assessoria do Iabas informou por volta das 8h20min que ainda não tem informações e que se posicionará depois.

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