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Economia

Sul Fluminense confirma ao menos 250 demissões

04/12/2019 20:01:28

A Viação Sul Fluminense confirmou ao FOCO REGIONAL, no início da noite desta quarta-feira, a demissão de ao menos 250 funcionários. A confirmação foi feita por Galba Viana, um dos interventores designados pelo escritório de advocacia nomeado pela Justiça. A empresa está sob intervenção judicial deste setembro deste ano.

Em entrevista por telefone ao jornal, na qual inicialmente demonstrou notável irritação com o que considera “inverdades” divulgadas em relação à Sul Fluminense, ele justificou o corte de pessoal como sendo uma questão de sobrevivência.

- As demissões têm que ser feitas para enxugar a empresa – disse ele, confirmando também, mas sem citar quantas, que foram realizadas demissões nesta quarta. Galba também não informou até quando o número fixado para os cortes vai ser concretizado, mas, ao ser indagado a respeito, respondeu: “Já”.

O interventor também assegurou que os demitidos estão recebendo seus direitos, exceto os 40% de multa do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), que, segundo ele, ainda terá que ser discutido para ser equacionado. A empresa, assegurou, no entanto, que está pagando o mês trabalhado e o 13º salário, liberando ainda o FGTS e a guia para o seguro-desemprego.

- Ninguém está saindo sem receber seus direitos. Sabemos que é muito ruim demitir, ainda mais nesta época do ano, mas, se não fizermos [as demissões], a empresa quebra. O que vai ser pior?

Em outros momentos, o interventor fez uma espécie de desabafo. “Estamos implantando uma gestão, que antes não existia”, disse afirmando que o “excesso de pessoal” compromete drasticamente as contas. “Temos 110 carros para 900 empregados. Temos 300 outros encostados”, prosseguiu Galba.

Segundo ele, as demissões não vão comprometer a operação da empresa. “Pelo contrário, vai melhorar”, declarou.

DEMISSÃO VOLUNTÁRIA – Também sem fornecer o número, o interventor negou que um Plano de Demissão Voluntária oferecido aos empregados não tenha recebido a adesão esperada. “Teve sim”, retrucou.

A empresa ainda rebateu que tenha tentado induzir funcionários a assinar o pedido de demissão alegando razões de ordem pessoal. Desconfiados, alguns recorreram a advogados e foram alertados de que, nestas condições, correriam o risco de perder direitos trabalhistas.

O texto enviado por uma advogada a um funcionário que a procurou, reproduzido em grupos de WhatsApp, levou a Sul Fluminense a distribuir um comunicado na terça-feira, no qual afirma que não há, “de forma alguma, interesse da empresa de lesar seus colaboradores”. No mesmo documento, diz que a intenção do plano de demissões voluntárias seria apenas dar oportunidade aos que desejarem sair de se anteciparem “a um possível evento futuro”.

Ao jornal, a advogada – que pediu para não ter o nome divulgado – negou que tenha orientado empregados a não aceitar a demissão voluntária, mas apenas alertado a pessoa que a procurou sobre o risco da perda de direitos ao justificar o pedido de dispensa por motivo de ordem pessoal.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, José Gama, o Zequinha, disse desconhecer que no pedido de dispensa os trabalhadores tenham sido obrigados a declarar a iniciativa como uma opção por motivo pessoal. “Não tenho documento nenhum dizendo isso. E, se o trabalhador não aceitar [o PDV] e for demitido sem receber seus direitos, sendo sócio ou não do sindicato vamos entrar com processo [trabalhista]”, afirmou.

A CRISE – Em crise desde que os sócios se desentenderam, a Viação Sul Fluminense opera a maioria das linhas urbanas de Volta Redonda. A sucessão de queixas dos usuários por não cumprimento de horários, ônibus quebrados e em mau estado de conservação levaram o prefeito Samuca Silva, em maio, a cassar a concessão da empresa.

Desde então, o governo municipal tenta realizar uma licitação das linhas, que chegou a ser autorizada pela Justiça para o dia 4 de outubro, mas acabou suspensa pelo TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro). O órgão recomendou uma série de adequações à prefeitura, mas, ao mesmo tempo, autorizou a realização de um chamamento público para um contrato emergencial com empresas para assumirem o serviço. O prazo previsto é de um contrato de seis meses, enquanto tenta desatar os nós no TCE-RJ e realizar a licitação.

O chamamento está previsto para esta sexta-feira, dia 6.

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