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Cidades

‘Repudio este tipo de vídeo’, diz parente de vítima de acidente na Dutra

14/10/2019 14:18:52

Na tarde do último sábado, o metalúrgico Mateus Sebastião da Silva, de 41 anos, morador da Vista Alegre, em Barra Mansa, baixou pelo WhatsApp um vídeo postado num grupo do qual faz parte. Quando percebeu do que se tratava, interrompeu a exibição.

Mal sabia ele que as imagens – mostrando os corpos do motorista de um caminhão e das vítimas em um carro de passeio, que colidiram no km 294 da rodovia – diziam respeito ao desastre que, menos de meia hora antes, havia ceifado a vida de seis pessoas, entre elas, a de seu sobrinho Felipe Dias da Silva, de 32 anos. Mateus só se deu conta de que as imagens – mostrando os corpos entre as ferragens – eram do acidente com a família do sobrinho quando soube da tragédia por intermédio do irmão, pai de Felipe. Ficou ainda mais chocado.

Como é comum nestes tempos, o vídeo foi replicado intensamente em diversos grupos do aplicativo e logo chegou a outra sobrinha de Mateus, irmã de Felipe. Moradora do Rio de Janeiro, ela também não tinha conhecimento da tragédia.

Já estava no final da noite de sábado quando Mateus postou uma mensagem lamentando a divulgação das imagens, que, mais uma vez, suscitam o debate sobre a falta de sensibilidade.

- Minha sincera opinião foi a que eu dei em vários grupos dos quais participo e que compartilharam o vídeo. Ou seja, de total repúdio. Qual a necessidade de expor as vítimas desse jeito? – questionou Mateus, na tarde desta segunda-feira, em entrevista ao FOCO REGIONAL: “Será que quem filma algo assim acha que as cenas não vão chegar aos parentes?”.

‘Repudio este tipo de vídeo’, diz parente de vítima de acidente na Dutra

De acordo com Mateus, o mesmo vídeo e fotos com os corpos expostos foram enviados ao pai de Felipe. “Graças a Deus ele não teve interesse e não abriu, pois até então também não sabia do ocorrido”, conta. “Eu mesmo recebi em vários grupos, até do meu serviço. O triste é ver pessoas falando que não sabiam que eram meus parentes. Isso é irrelevante. O amor ao próximo esfriou. Está faltando mais empatia ao mundo”, acrescentou o metalúrgico.

Mateus conta também que, desde 2015, quando recebeu um vídeo de uma idosa atingida por uma viga de aço que se desprendeu de um guindaste, no Ano Bom, em Barra Mansa, sempre deixou claro não ter interesse em ver este tipo de imagem.

O que mais surpreende o metalúrgico é as pessoas filmarem e compartilharem cenas de tragédias como a de Porto Real sem levar em conta que um dia também podem ser vítimas. “Qualquer um está propenso a sofrer um acidente. Está faltando amor ao próximo”, repetiu.

Também em uma rede social, a filha do motorista do caminhão relatou o fato de as imagens terem sido gravadas e de “gente pedindo o vídeo”. (Foto: Polícia Rodoviária Federal)

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