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Política

Para sua própria administração, nota 10

'Ser prefeito com dinheiro jorrando é fácil'

15/01/2020 15:31:46

FR – No seu governo há iniciativas visivelmente bem sucedidas, como o ônibus elétrico do Tarifa Comercial Zero. Outras precisariam, na avaliação de muitos, ocorrer antes da eleição para reforçar o senhor até lá, como o polo metalmecânico. E há uma terceira questão: ao ser eleito, o senhor disse que o grande legado que pretendia deixar para a cidade seria uma gestão deixando as finanças equilibradas. O senhor avalia que conseguirá isso até o final deste mandato?

SS – Sim. Na questão da gestão estamos em pleno desenvolvimento. Crescemos R$ 120 milhões em receita própria. As receitas dos governos estadual e federal seguem estabilizadas. Só fizemos o que fizemos na cidade porque aumentamos a arrecadação. Se não tivéssemos feito isso, estaríamos num colapso, porque era muita dívida em curto prazo. Precatórios, desapropriações, dívidas do FGTS, PIS, parcelamentos, fornecedores, restos a pagar...Tudo isso devidamente informado à Câmara e à sociedade, R$ 1,7 bilhão de dívida.

Nosso orçamento era R$ 812 milhões. Estamos em R$ 980 milhões este ano, com expectativa de crescer R$ 160 milhões, sem aumentar impostos para a sociedade, que não aguenta mais a carga tributária. Esta questão das finanças já está bem melhor. Claro que não serão em quatro anos que vamos resolver as finanças de uma cidade que está de joelhos, muito ruim financeiramente. Mas tenho certeza de que hoje já entrego uma cidade bem melhor financeiramente do que recebi em 1º de janeiro de 2017.

É um trabalho de gestão cujo legado já está aqui internamente. Ninguém vai entrar aqui e querer fazer um processo sem licitação, como era no passado, sem parecer jurídico. O legado de transparência está aí. Quanto ao polo metalmecânico também conseguimos. Efetivamente, a cidade maior geradora de empregos do estado do Rio de Janeiro em 2018 e 2019 é Volta Redonda, com ótimos resultados. Há uma questão pontual [do polo], de burocracia, mas 12 empresas já assinaram no Codin (Companhia de Desenvolvimento Industrial), do governo do estado o desejo de se instalar em Volta Redonda e estou trabalhando para que isso se materialize para a população. Mas este legado já aconteceu sob o ponto de vista interno, de atrair estas empresas para o estado e Volta Redonda.

O ônibus elétrico já é uma realidade. Precisamos agora estruturar os abrigos , mas já é uma realidade, dificilmente alguém conseguirá retirar este projeto, pois mexe com o dia a dia do universitário, do desempregado, do professor, daqueles que querem circular nos centros comerciais de forma gratuita. Creio que estamos adiantados em termos de legados, independentemente do processo eleitoral.

FR – Nos últimos meses, pelo menos aparentemente, a prefeitura teve dificuldades para quitar os salários de seus servidores. Voltando um pouco ao ano eleitoral, o senhor pode assegurar que o funcionalismo terá o salário pago em dia?

SS – Não atrasamos salários. Houve alguns contratempos. No final do ano passado houve um bloqueio judicial que afetou todas as contas da prefeitura. Casou um efeito cascata. Até conseguirmos desbloquear houve um atraso de um dia, de algumas horas, para quitar os salários. A dificuldade de caixa é mesma desde o primeiro dia, mas as obrigações aumentaram muito. Mesmo assim conseguimos incluir o início do PCCS ( Plano de Cargos, Carreiras e Salários) dos servidores, demos auxílio-alimentação, acabamos com o RPA (Recibo de Pagamento a Autônomo), fizemos vários concursos públicos, encaminhamos à Câmara vários PCCSs pontuais para várias categorias, reconhecemos direitos de várias categorias também e não tivemos nenhuma greve até agora. O piso nacional dos professores está sendo cumprido. Não atendemos todas as reivindicações, mas adotamos e entregamos alguma coisa ao servidor.

E vamos manter o salário em dia até 31 de dezembro de 2020, é um compromisso meu. Ressalto que as questões do Hospital do Retiro e do Hospital São João Batista foram orçamentárias. O dinheiro estava na conta, só que não posso encaminhar R$ 3 milhões para uma entidade privada sem dotação orçamentária, sem empenho, liquidação e pagamento. O atraso não foi por questões financeiras. Evidente que um bloqueio nas contas hoje afeta toda a minha programação do mês, mas quero tranquilizar o servidor de que os salários serão pagos em dia, independente de questões eleitorais.

FR – Se tivesse que dar uma nota de 1 a 10 para o seu governo, qual seria e por quê?

SS – 10, claro!! Fazer um governo com o endividamento assumido e não fechar pontos de saúde, pelo contrário, abrir unidades de Saúde da Família, fazer concursos, contratar médicos, abrir creches e triplicar vagas em tempo integral, aumentar de 38 mil para 39,5 mil a oferta de vagas na rede pública de educação, fazer um concurso de verdade para os professores...

Investimos no esporte e lazer, no VR em Movimento, retomamos a viagem da terceira idade, reabrimos o Restaurante Popular...Fizemos o Hospital do Idoso, conseguimos – com articulação política em Brasília – abrir a Clínica de Diálise, colocamos R$ 1 milhão para abrir o Hospital Regional, que fortalece não só a rede de Volta Redonda, mas de toda a região...

Fizemos o polo metalmecânico, colocamos o Plano Diretor na Câmara para aprovação, aumentamos a capacidade de arrecadação, somos a cidade que mais emprega no estado do Rio de Janeiro. Fizemos articulações para a [abertura] da Rodovia do Contorno, que estava parada há muito tempo. E fizemos isso com muito endividamento. Dinheiro tem, faltava gestão. Esta marca do governo ninguém tira. Por isso daria 10.

Obviamente que a expectativa da população sob o ponto de vista de mudança é enorme, altíssimo. Mas ser prefeito com dinheiro jorrando no caixa é fácil. Fazer gestão pública com fluxo financeiro baixo não é para qualquer um. Daria 10 porque não jogamos as dificuldades para a população. Hoje o principal problema de Volta Redonda ainda é a saúde, porque todos olham para o SUS como um corte para o orçamento próprio: ele [cidadão] corta o medicamento da farmácia, corta o plano de saúde privado e olha a prefeitura como uma saída para diminuir os custos da família. E Volta Redonda aumenta seu atendimento regional. Por isso eu daria 10 para esta gestão que faz algo que outras prefeituras não conseguiram fazer.

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