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Política

O Fla-Flu eleitoral

Prefeito admite frustração com 'novo PSDB'

15/01/2020 15:28:29

FR – O senhor tem dito que, sob seu ponto de vista, a eleição não começou, mas evidentemente que uma eleição começa assim que a anterior termina. Como pretende lidar com esta questão numa época cada vez maior de fake news, em que as coisas são disseminadas sem qualquer checagem, sendo o senhor que está no governo?

SS – Trabalhando...Tenho que entregar resultados para a população para que ela possa me legitimar como um bom prefeito e, quem sabe, eu ter a decisão da possível reeleição que a lei eleitoral me permite. Mas quem vai decidir é o resultado do que vou entregar este ano. Claro que me entristece muito em ano eleitoral começar o ano de 2020 já antecipando este debate. Isso não atrapalha o prefeito Samuca, atrapalha a cidade, todo o trabalho de investimento, de atração de empresas, de desburocratização, investimentos de empresas privadas aqui, de pacotes que temos que fazer ainda do processo legislativo na Câmara de Vereadores. [São] Tantos ajustes necessários, numa dinâmica em que as pessoas ficam receosas de tomar decisões pensando na questão do voto que é só lá em outubro.

São dez meses ainda pela frente! Isso trava um pouco. Obviamente, quando a gente lança um programa como o Orgulho de Volta – que é todo dia um novo investimento – quero dar um recado de que vamos acelerar, entregar resultado e é desta forma como vou lidar com o ano eleitoral. A eleição já começou para aqueles que estão preocupados com a candidatura e, sinceramente, estou preocupado em entregar bons resultados. Obviamente, como a lei permite se eu puder vir, se a população quiser que eu continue o trabalho de reestruturação da cidade, dentro do que já entregamos, posso pensar na possibilidade [de reeleição], sim.

FR – Volta e meia se fala que Samuca Silva, tendo passado por vários partidos e hoje estando no PSDB, pode mudar de partido de novo para tentar a reeleição. Vai haver uma nova troca de partido?

SS – Eu sempre digo que não temos partidos políticos. Temos siglas partidárias e que a legislação eleitoral exige que você esteja filiado a um partido. Até defendo que qualquer pessoa, independentemente de partido político, poderia se candidatar. Mas a legislação eleitoral nos obriga a estar filiado a um partido para sermos candidatos. Eu retornei ao PSDB, que foi o meu primeiro partido, acreditando num novo PSDB.  E talvez este novo PSDB não seja tão novo assim.

Com toda sinceridade: eu trabalho com grupos. Hoje o governador Wilson Witzel olha para Volta Redonda. Não conversamos sobre questões partidárias, mas se ele achar que devo mudar do partido o farei normalmente. Até agora, entretanto, não há nada de concreto nisso. Há, sim, uma conversa entre o governador Wilson e o prefeito de Volta Redonda para estarmos juntos em prol do estado do Rio de Janeiro, da região Sul Fluminense e Volta Redonda. Mas esta questão tem até abril para ser decidida.

Hoje estou filiado ao PSDB, participo das reuniões, acreditei no novo PSDB – ao qual fui convidado para retornar –, mas vou fazer esta avaliação se o PSDB é o novo ou o velho PSDB de sempre. De qualquer forma [haverá] uma orientação muito forte do governador. O que ele me orientar a fazer o farei porque me sinto neste grupo político que ele está montando no estado do Rio.

FR – O senhor acredita que a próxima eleição municipal tende a seguir a tendência nacional de polarização ou, no caso local é totalmente diferente?

SS – Volta Redonda não vai ter a terceira via. Isso ocorreu na minha eleição. Volta Redonda vai ter um Fla-Flu entre dois modelos...

FR – O senhor descarta que possa haver um candidato que saia de uma baixa intenção de votos para vencer a eleição, que o fenômeno que houve na sua eleição venha a se repetir?

SS – Eu tinha [naquela eleição] pesquisa em mãos como tenho agora. Naquela eleição 40% do eleitorado queriam um novo nome. Foi nessa, com técnica do lado, que entrei, inclusive recusando convites para ser vice de vários candidatos que hoje, inclusive, estão me ajudando, com sua experiência, a construir Volta Redonda. É claro que a cidade mudou. É inovadora, com várias ideias, projetos e, por isso mesmo, é que tem tantas fake news, por causa de coisas novas que estão acontecendo. Porque quando não há nada novo ninguém critica. E você aguça a curiosidade das pessoas criticar um novo projeto.

É isso o que está acontecendo. Esta mudança ocorreu em Volta Redonda, houve inovação. A eleição deste ano é Fla x Flu: se querem voltar ao passado ou querem continuar a inovação! Dificilmente – e pesquisas mostram isso – as pessoas querem um novo nome, porque o novo nome já ocorreu. E quando falo eu Fla x Flu não me refiro a pessoas, estou falando de ideias: entre o que é novo, que está acontecendo na cidade e o que antigo, que é velho. Esta será a tônica de Volta Redonda na próxima eleição.

FR – O senhor acredita que o ex-prefeito Antônio Francisco Neto conseguirá ser candidato? Se for, qual a intensidade ganha o Fla x Flu a que se refere? (Nota da redação: neste momento Neto está inelegível, pois teve contas rejeitadas pela Câmara de Vereadores)

SS – Eu respeito o ex-prefeito pela sua história e sua identidade com Volta Redonda. Mas não o vejo como candidato. Temos que confiar na Justiça Eleitoral, na Justiça do país. Ele não pode ser candidato. Temos que ver e entender o cenário jurídico atual. Estas história de liminar [para Neto concorrer], possibilidades futuras, são conspirações de pessoas que querem construir nominatas, relações, ficar próximas do jogo político. Mas, sob o ponto de vista legal, o ex-prefeito não é candidato. Tem que esperar o prazo de inelegibilidade passar. Qualquer pessoa pública sabe disso. Nós, por exemplo, revertemos um parecer técnico contrário [às contas] e colocamos as nossas contas aprovadas porque fui lá [na Câmara Municipal] defender. Então, não o considero candidato na próxima eleição, confiando na Justiça, por esta questão de inelegibilidade.

Obviamente, se ele conseguir a possibilidade de vir, ficará [a campanha] muito mais aguçada entre o novo e o velho. Entre quem ganhou a eleição [de 2016] saindo de 0,8% por cento e implementou uma política desenvolvimentista, de inovação, de mudanças para a cidade, com o modelo tradicional, de não deixar a cidade crescer, de pintar praça, de assistencialismo... Estes dois modelos é que estarão sendo discutidos na campanha eleitoral. Claro que, se ele for candidato, estes dois modelos ficarão muito mais aparentes para a sociedade.

FR – Mas temos também a possibilidade – embora ele venha adiando esta posição – de o deputado federal Antônio Furtado vir também candidato. E o vereador Washington Granato, ex-presidente da Câmara, já se declarou pré-candidato. O senhor pensa que nem assim altera esta polarização entre o governo passado e o atual?

SS – A polarização entre o novo e o velho! Nesta composição que você disse são dois candidatos do novo e dois candidatos do velho. Ou seja: a polarização da eleição entre dois modelos. A sociedade vai decidir se o velho é o que mais importa e funciona ou o novo que mais funciona.

Nesta composição destes quatro candidatos, Furtado e Samuca representam a nova política e os outros dois, Neto e Granato, a velha política. É este Fla x Flu que estou mencionando e vai ocorrer na próxima eleição. E aí vamos ver, se eu for candidato, se o Furtado for candidato, se o Neto for candidato e se o Granato for candidato o que a sociedade vai encarar como melhor modelo para gerir Volta Redonda.

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