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Nacional

Indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixada segue enfrentando resistência

Levantamento mostra um terço dos senadores se diz contra indicação

07/10/2019 13:10:33

Quase três meses depois de ter sido anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro, a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para assumir a embaixada brasileira nos Estados Unidos, ainda não oficializada pelo Executivo, está longe de ter os votos necessários para ser aprovada no Senado. Uma atualização de levantamento do jornal O Estado de S. Paulo mostra que, mesmo depois de fazer "campanha" na Casa, o filho "03" do presidente tem apenas 15 dos 41 votos necessários. O número é o mesmo registrado em agosto.

Um terço (27) dos 81 senadores consultados pelo Estado disse que vai votar contra a indicação. Além destes, oito afirmaram estar indecisos e 31 optaram por não responder. Foi o caso do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). A assessoria do senador, que tem trabalhado pela aprovação do deputado, afirmou que aguardará o resultado da sabatina para tomar sua decisão.

Na primeira edição do placar, no início do agosto, Alcolumbre informou que não iria votar, ainda que o regimento permita. Naquele momento, o levantamento do jornal paulista apontava que havia 15 votos declarados a favor da indicação e 29 contra. Outros 36 senadores não revelaram como votariam - 29 não quiseram responder e sete se declararam indecisos.

Os números dos dois levantamentos são semelhantes - além da posição de Alcolumbre. A única mudança foi a migração de dois senadores declaradamente contrários para o grupo dos que não revelam o voto.

Caso seja oficializada a indicação, Eduardo terá de ser sabatinado na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. Os membros da comissão então decidem, em votação secreta, se aprovam ou não a indicação. Uma vez aprovado, o nome do indicado é encaminhado para apreciação do plenário da Casa, também em votação secreta. São necessários ao menos 41 votos favoráveis.

Bolsonaro disse, em entrevista ao Estado, que a indicação de Eduardo ainda não tem data para ser oficializada. "Deixa passar a votação da reforma da Previdência. Não tem pressa não", disse. Em agosto, após a divulgação do levantamento do jornal, Bolsonaro afirmou que aguardaria o "momento certo" para oficializar a indicação. No último sábado, ele minimizou o fato de, hoje, não ter os votos suficientes. "Ele se prepara melhor para enfrentar a sabatina, caso ele mantenha a ideia de ir para lá. Pra mim seria interessante."

Desde que foi anunciada, em 11 de julho - dois dias depois de Eduardo completar 35 anos, a idade mínima para um brasileiro assumir uma representação diplomática no exterior -, a indicação do filho do presidente para o cargo mais importante da diplomacia brasileira foi alvo de críticas de adversários, que a classificaram de nepotismo e questionaram a qualificação técnica do deputado. (Foto: Câmara dos Deputados)

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