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Cidades

A intérprete para surdos nas ‘lives’ de Samuca

28/03/2020 18:28:33

Desde que começou a crise gerada pela pandemia mundial da Covid-19, o prefeito Samuca Silva tem recorrido ao menos uma vez por dia para dar informações à população de Volta Redonda numa rede social. Quem acompanha os pronunciamentos do chefe do Executivo já se habitou com as presenças, ao lado dele, do secretário municipal de Saúde, Alfredo Peixoto, e de uma intérprete de Libras – a Língua Brasileira de Sinais.

Quem executa a tradução para o público com deficiência auditiva é Karin Desirée Sarilho Alonso dos Santos, uma paulista de Guarujá, de 40 anos, que há quatro reside em Volta Redonda. “É uma prestação de serviço para a comunidade surda de Volta Redonda e da região, que fica muito perdida nos noticiários, já que muitos telejornais não contam com este profissional”, diz ela.

Karin se refere aos noticiários de TV por um fato ignorado por quem não convive com os surdos: embora os aparelhos de televisão disponham de uma tecla (SAP) para mostrar legendas do que está sendo falado, muitas palavras são desconhecidas deste público e eles acabam perdendo o contexto da informação.

“É muito importante este trabalho e Volta Redonda tem investido neste serviço”, acrescenta a intérprete, lembrando a realização de concurso para a contratação deste tipo de profissional pela prefeitura. “Na cidade temos uma comunidade grande de surdos que fazem esta leitura, conseguem acompanhar e nos dão um retorno muito positivo”.

Karin concorda com aqueles que defendem o aprendizado de Libras mesmo por pessoas que não tenham um surdo na família. Observa que a Libras é a língua principal da comunidade surda e, embora ainda não tenha sido regulamentada sua aplicação na escola regular, deveria ser aprendida sobretudo por profissionais que fazem atendimento frequente a este tipo de público, como da área de saúde e guardas municipais, que, para ela, deveriam conhecer esta necessidade.

Por outro lado, Karin admite que a língua não é fácil, mas é como aprender qualquer outra, como o inglês: “Com dedicação se consegue aprender e, como em todas as línguas, quanto mais novo se começa mais fácil se torna adquirir a proficiência”.

Ela fala com a autoridade de quem aprendeu aos 13 anos a língua de sinais: “Eu tinha muita vontade de aprender, mas ao longo destes anos todos houve muitas mudanças. Hoje temos surdos que são mestres, que trabalham com a parte de linguística, de linguagem, com a parte do léxico, que enriqueceu muito a língua. Não é mesma que aprendi, por isso continuo estudando. Acho que o segredo é não parar de estudar, estar em contato com a língua e, principalmente, com a comunidade surda da sua comunidade”.

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