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Estado

Primeiro bombeiro a chegar à escola de Realengo é promovido

29/09/2011 16:44:32

Ronnie de Macedo Tibúrcio, de 26 anos, recebeu hoje a notícia de que era o mais novo cabo do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro. Na corporação há dois anos e oito meses, como soldado, ele teve que se lembrar novamente do ato de bravura que rendeu sua promoção: o socorro às crianças feridas pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira na Escola Municipal Tasso da Silveira, em 7 de abril . Doze alunos morreram no ataque, e outros doze foram internados com ferimentos em diversas partes do corpo.

- Eu me lembro de tudo o que aconteceu naquele dia. Como eram crianças, as cenas ficaram muito marcadas na minha memória. Tudo foi muito forte para mim - conta o cabo Ronnie Tibúrcio.

A mudança de patente foi publicada na segunda-feira no boletim interno do Corpo de Bombeiros, que justifica a premiação da seguinte forma:

"(O soldado) encontrava-se saindo de serviço, por volta das 8h20min do dia 07/04/2011, passava pela Rua Piraquara, no Bairro de Realengo, rua esta próxima à Rua General Bernardino de Mattos, onde fica a Escola Municipal Tasso da Silveira, quando ouviu uma gritaria que lhe chamou a atenção e então viu um rapaz de aproximadamente 13 anos, uniformizado e ferido com um tiro na cabeça. Com ajuda de populares pegou esse aluno e dentro de uma viatura da PMERJ que se encontrava no local, realizou os primeiros socorros. Segundos depois, apareceu outro aluno com um tiro no braço que também foi atendido no local. Após os atendimentos a estes dois alunos, o soldado Ronnie se deslocou para a dentro da escola e, lá chegando, constatou uma situação mais aterrorizadora, pois, havia diversos alunos feridos e muito sangue pelo chão. Imediatamente iniciou os atendimentos a esses feridos e coordenou a retirada dos mesmos para fora da escola a fim de serem atendidos pelas equipes que lá estavam. Do exposto, conclui a Comissão, por unanimidade, que foi praticado ato de bravura".

Naquela manhã de quinta-feira, o militar tinha encerrado um plantão de 24 horas no quartel da corporação em Realengo, do qual saiu por volta das 8h20m. No caminho para o curso em que se preparava para a prova de oficial dos bombeiros, ele passou pela Rua Piraquara, ouviu tiros e gritos, e viu alunos baleados em plena calçada. A rua é a mesma onde tinha participado do salvamento de um motoqueiro acidentado menos de uma hora antes, e cumprimentado o Sargento da Polícia Militar Márcio Alves, que chegava para uma blitz do Detro. Minutos depois, o policial foi chamado pelo aluno Allan Mendes da Silva, que tinha conseguido fugir da escola mesmo baleado. Foi o sargento Alves quem atirou na perna do atirador antes que ele se suicidasse . Ao ver as crianças feridas, o bombeiro decidiu entrar na Tasso da Silveira.

- Passei três semanas no resgate às vítimas na Serra, e três dias no Morro do Bumba. Peguei muitos corpos nas minhas mãos nessas operações, mas estava instruído e sabia o que iria encontrar. Quando entrei no colégio, não sabia o que veria. Foi muito chocante para mim, muito mais do que nas outras tragédias - explica Ronnie

Ele só pôde entrar na escola, no entanto, quando o tiroteio cessou e os policiais permitiram o seu acesso após ele ter apresentado a identificação de bombeiro. A primeira vítima que socorreu foi um menino baleado na cabeça e cujo nome ele não se lembra.

- Ele estava totalmente desorientado. Tentava se levantar, se apoiando nas paredes e nas carteiras, e caía logo depois. Quando falávamos com ele, nem respondia - Disse Ronnie, que chegou a conversar com a mãe do estudante na noite após o massacre.

O adolescente foi levado por ele para um carro da Polícia Militar, que o transportou para o Hospital Albert Schweitzer. Como foi ferido na cabeça e necessitava de um neurocirurgião, o jovem foi transferido para o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, onde ficou internado. A descrição de Ronnie leva a crer que o socorrido foi o menino Luan Victor Pereira, de 13 anos, que ficou hospitalizado em estado grave na unidade de saúde e passou por uma cirurgia por ter sido atingido no olho direito. O pai de Luan, Valdecir José Pereira, não confirma a informação.

Naquele mesmo dia, Ronnie resgatou ao menos mais seis alunos e soube depois que alguns deles estão entre os mortos pelos disparos. Como era pai há apenas dois meses, o bombeiro conta que lembrava do seu filho ao ver as crianças feridas:

- Foi inevitável. Fiquei com aquela sensação amarga no coração. Tenho certeza de que não vou ver mais uma tragédia como aquela. 

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