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Internacional

Líbia cria comitê para investigar morte de Kadafi

24/10/2011 15:30:12

Cinco dias após a morte do ditador líbio Muamar Kadafi, o Conselho Nacional de Transição (CNT) anunciou nesta segunda-feira a criação de um comitê para investigar as causas da morte do ex-líder, que segundo rumores teria sido executado e não morto durante tiroteio, como asseguravam autoridades. O governo interino anunciou ainda nesta tarde o fim da exposição pública do corpo do ditador, que estava aberto para visitação em um frigorífico de Misurata desde sexta-feira.

As preocupações sobre o desrespeito a direitos humanos por membros das brigadas do governo interino do país aumentaram nesta manhã com a denúncia do Human Rights Watch de que 53 supostos kadafistas teriam sido executados em Sirta. Os corpos foram encontrados em um hotel da cidade. Alguns dos cadáveres estavam com as mãos atadas nas costas e tiros na cabeça, sinais claros de execução. A organização pediu ao CNT uma investigação "rápida e transparente" sobre o episódio. Ainda não há pistas sobre os autores do crime.

Em conversa com repórteres nesta segunda, o presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, afirmou que os novos líderes da Líbia estão discutindo a formação de outro governo interino, que deve ser anunciado em até duas semanas. Numa tentativa de acalmar líderes internacionais, após o anúncio da instituição da sharia, a lei islâmica, no domingo, Jalil afirmou ser moderado.

- Quero assegurar a comunidade internacional que nós líbios somos muçulmanos moderados - disse Jalil.

Há quatro dias exposto, o corpo de Kadafi já começava a dar sinais de decomposição, quando o governo interino decidiu encerrar as visitações ao frigorífico de Misurata, onde também está o filho do ditador Mutassim. Os portões foram fechados por volta das 15h30min (horário local).

Como a sala era constantemente aberta para a entrada de visitantes, a temperatura não conseguiu preservar os cadáveres, mortos na quinta-feira.Segundo testemunhas, um cheiro impregnante tomou conta do local. Guardas precisaram colocar um plástico sobre os corpos e distribuir máscaras.

Mas nem o aspecto nem o cheiro dos corpos foram suficientes para impedir que uma multidão de líbios, inclusive crianças, visitassem o frigorífico. O povo parecia não estar muito preocupado com as circunstâncias da morte do ditador nem com o longo período de exposição de seu cadáver ao público.

- Se ele tivesse sido um bom homem, nós teríamos enterrado. Mas foi ele que escolheu seu próprio destino - disse Salem Shaka, que visitou o frigorífico poucas horas antes do fechamento.

Autoridades líbias ainda não chegaram a um consenso sobre onde enterrar Kadafi. Em testamento, o ditador expressou o desejo de ser sepultado em Sirta, sua cidade natal. A cúpula do CNT quer que o corpo seja enterrado num local secreto para impedir a peregrinação, mas autoridades de Misurata defendem que o corpo do ex-líder fique na cidade, que se tornou símbolo da revolta popular contra o regime.

 

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