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por: Fernando Pedrosa

Acordo com MPRJ fortalece Samuca

24/04/2020 21:31

O acordo firmado com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro nesta sexta-feira, vislumbrando a possibilidade de reabertura gradual do comércio a partir do próximo dia 4, fortalece o prefeito de Volta Redonda, Samuca Silva.

O entendimento foi anunciado por ele nesta sexta-feira, justamente um dia depois de a Justiça barrar a reabertura do comércio em Barra Mansa – que chegou a ser anunciada pelo prefeito Rodrigo Drable para a próxima segunda-feira, dia 27 – e no mesmo dia em que outra decisão judicial travou a mesma iniciativa por parte de Ednardo Barbosa, prefeito de Pinheiral.

Ao contrário dos mandatários dos municípios vizinhos, que tomaram decisões idênticas apenas com a ressalva de precauções para evitar a propagação do novo coronavírus, mas sem qualquer parâmetro de avaliação do cenário, Samuca levou aos promotores um plano elaborado, com condições a serem observadas, com o monitoramento do quadro na cidade. Uma proposta técnica, como ele definiu.

Entre as condições estabelecidas estão: que os casos suspeitos não superem em 5%, por dois dias consecutivos, o total da data anterior; a ocupação de mais de 50% de leitos de UTI na rede pública e de mais de 70% dos 114 leitos de atendimento intermediário no Hospital de Campanha montado no Estádio Raulino de Oliveira.

O curioso da história é que, uma semana atrás, Rodrigo Drable e Ednardo Barbosa participaram, juntamente com Samuca, de uma reunião com o MPRJ. Mas, enquanto o prefeito de Volta Redonda procurou respaldo do órgão fiscalizador para a flexibilização, os outros dois resolveram jogar sozinhos, individualmente, e acabaram sendo submetidos ao constrangimento de serem desautorizados pela Justiça por iniciativa do MPRJ. Talvez tivessem obtido o mesmo entendimento conseguido por Volta Redonda se atuassem em conjunto.

O acordo que Samuca conseguiu ganha mais relevância por (algumas) razões óbvias: maior cidade do Sul Fluminense, Volta Redonda contabilizava oficialmente, até o momento desta publicação, 10 mortes causadas por Covid-19; a cidade tem o maior número de casos suspeitos, que já se aproximam de mil; como polo regional, tem grande circulação de pessoas de fora e um comércio bem mais dinâmico e movimento do que seus dois vizinhos. Pela lógica dos números, seria mais provável a concordância dos promotores com a flexibilização em Barra Mansa e Pinheiral.

Firmeza

Prefeito mais jovem da história de Volta Redonda, cumprindo seu primeiro mandato, Samuca Silva cresceu politicamente pela forma como vem enfrentando, pelo menos até agora, o quadro de emergência sanitária.

Pode-se argumentar, e é verdade, que a ordem judicial para fechar a maior parte do comércio lhe proporcionou uma situação mais confortável, dispondo de uma justificativa inquestionável para resistir às compreensíveis pressões do setor comercial pela reabertura das lojas.

Mas também é preciso reconhecer que o prefeito não se valeu disso como uma espécie de muleta para amparar sua concordância com as restrições impostas.

Foi firme na defesa das medidas, sem as quais Volta Redonda poderia estar diante do mesmo caos instalado na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, onde já faltam leitos e equipamentos para atender contagiados pela Covid-19.

Responsabilidades

Samuca está enxergando bem mais adiante do que Drable e Ednardo nesta crise do coronavírus. Já deixou claro, por exemplo, que a divisão de responsabilidades na flexibilização inclui, com elevado peso, o esforço do comércio e da própria sociedade para que não seja preciso um retrocesso. Ou seja, já sinalizou que não titubeará em dar um passo atrás se tal necessidade for indicada pelos parâmetros estabelecidos.

A próxima semana vai ser, portanto, a mais importante no anseio de todos para que, aos poucos, a cidade vá retornando à rotina, ainda que não se possa prever quando, de fato, tal normalidade virá a ocorrer.

Mas o prefeito de Volta Redonda aponta, de forma clara, que não é numa canetada que se resolve tudo. Passa pelo engajamento de todos e não somente de quem está na cadeira de prefeito.

Fernando pedrosa é editor do FOCO REGIONAL (Foto: Felipe Carvalho)

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